quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Música

Uma vez um amigo meu me falou que anos ímpares costumam ser mais felizes e generosos. E depois desse comentário comecei a fazer retrospectiva da minha vida nos últimos 10 anos e pasmem: ele tem razão.
2010 foi um ano que quase mandei pelo ralo com lembranças e tudo, até me embebedei no reveillon pra esquecê-lo; sorte que a melhor parte dele voltou e agora estou um pouco menos amarga. Mas essa é uma história que depois conto disfarçada sob outros nomes, identidades e fatos, vamos ao que interessa.
Pela 1 vez meus queridos leitores e seguidores (que, por sinal, aumentaram no ano passado, muito obrigada) verão um pouco do gosto musical de M.H. Não que isso seja algo revolucionário na sua vida, mas acho interessante essas pessoas que conseguem conciliar música e texto.
Escolhi um tema que anda martelando horrores na minha cabeça: os sete pecados capitais. Eu tenho um pouco de todos eles, e os encontrei, inclusive, na música.
Estão aqui os sete vídeos, as sete músicas e os sete pecados aos quais eles me remetem. Espero sinceramente que gostem, é só clicar nos títulos.

Afagos de Maria Helena.

1 - Gula

2 - Avareza

3- Inveja

4 - Soberba

5 - Luxúria

6 - Preguiça

7 - Ira

domingo, 31 de outubro de 2010

Homens

Ah, os homens!
Tão másculos, virís, sedutores; poucos são cientes de seu encanto e de sua graça. E quando falo "graça" não me refiro meramente à bom humor e fazer rir: homens também tem leveza e harmonia de movimentos, olhares, bocas e caras inteiras que podem, por si só, furar os quatro pneus de uma mulher. Só lhes faltam a ciência disso, o domínio disso. E esses, (in)felizmente são dotes femininos. Mas voltemos ao maravilhoso mundo masculino, com seus braços e ombros largos e pescoço cheirando a Malbec.
Um homem pra ser bonito (ou pelo menos charmoso) tem que agradar pelo menos três dos cinco sentidos femininos. E o primeiro deles (surpreenda-se!) é o olfato. Não há mulher no mundo que não procure com os olhos o que o nariz já achou faz tempo. Seja lá qual for o perfume, desde que não agrida as narinas, a pergunta "de onde vem?" inevitavelmente vai surgir. E como é bom beijar um homem cheiroso. Amar um homem cheiroso. Fazer amor até a exaustão com um homem cheiroso. E ai sentir o perfume dar lugar ao cheiro natural, e encantar-se com tal aroma. E querer pra si tal aroma. A melhor (ou pior) lembrança de uma boa noite de sexo é o cheiro dele na roupa, no lençol, no carro. E lá ficamos nós, na nossa torcida pela ligação do dia seguinte.
O segundo sentido são os olhos. E não é beleza o que procuram os olhos femininos: é o charme; o vestir; é o primeiro botão aberto da camisa insinuando um convidativo peito dotado de pelos ou não (e cheiroso!); é a mão na nuca nos momentos descontraídos; é o olhar; os movimentos da boca; a barba (sim, a barba! mas sobre isso eu falo daqui a pouco); é a calça jeans insinuando coxas e bunda; é o sorriso, as sobrancelhas num semblante que não pára de se mexer; os ombros largos em harmonia com os braços no andar. Alguma dessas coisas que citei com certeza você, homem, tem e já conquistou alguém por causa disso. Quanto à nós, mulheres, nos resta a admiração e os suspiros.
Por último, e não menos importante, está a pele. Não a pele sedosa, bem cuidada (claro, isso num homem é muito atraente). Mas é na aspereza dos pelos, dos calos, da barba, é na grossura da pele de um homem que escorrega a pele ardente de uma mulher. É o toque inesperado no lugar certo durante a conversa de barzinho; é o roçar da barba no cheiro no pescoço; é o rosto que se afoga em beijos nos nossos seios; são as mãos inquietas na hora do sexo; é a segurada firme da mão; é a pele que cheira, o cheiro na pele.
Os outros sentidos não ficam de fora nesse balé de deleites; uma bela voz, um bom papo derrubam rainhas de Sabá e iabas de Jorge Amado. E o gosto também! Sim, homens têm sabor! E é atrás dele que vamos depois da festa dos outros quatro sentidos.
Os gays tem razão: vocês são tão lindos que atrair outro homem não é lá muito difícil. Ter consciência disso pode até ser uma arma na mão de meninos (não homens!) em busca dos prazeres da carne. Mas nas mãos grossas e peludas de um homem, que vise viver um bom romance, é a chave para se encontrar uma boa mulher. Boas mulheres reconhecem, mesmo que não saibam, homens dotados de tudo isso. E é pra esses que nós damos o céu.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Precaução é algo que...

... nunca tive na vida. Sempre gostei de arriscar, apesar de detestar instabilidades e imprevisibilidades. Meu espírito aventureiro está em constante choque com minha alma imutável. Mas isso não significa, de forma alguma, que eu tenho uma alma imóvel. Ela é inquieta, sabida, inteligente, esperta, uma menina de 8 anos solta num quintal arborizado. Acho que foi por isso que sempre me fodi muito nos meus (projetos) de relacionamento.
Entregar todos os pontos quando ainda tou na fase da paixonite é quase uma rotina na minha vida sentimental. Me doar, adorar, tratar (muito) bem... pra mim é tão comum e natural quanto cagar e comer.
E não é porquê eu sou fácil, ou leviana; paixão é meu pão de cada dia, não faço nada sem ela, de escrever ao sexo, do acordar ao dormir. Se faço, digo, beijo, escrevo, estudo, trabalho, crio filhos e canto é porquê sinto paixão.
Freios? Só os da minha bicicleta. E se eu me ferrar, nasci dotada da paciência de um monge pra recolher os caquinhos do meu coração e remontá-lo.
E é enquanto o remonto que aviso que brevemente ele vai se espatifar de novo.
E né que ele gosta disso?
Eu também.
Mas o amor, não. O amor é outra coisa...

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Estou bem, meu bem.

Eu achei que quando você fosse embora, faria-se noite em meu viver. Mas veja só o quanto estou bem! É até irônico que eu, aquela garotinha pequena, indefesa, que secava chorando quando brigávamos, que reprovava na faculdade, que perdia festas, reuniões de amigos e cinema com a mãe, esteja tão bem.
E o mais impressionante: VIVA!
Estou bem, meu bem, de verdade.
Fui pra boate, dancei muito, conheci pessoas e cheguei em casa de manhã com os pés inchados.
Fui pro barzinho, SOZINHA, no meio de um monte de homem, coisa que eu adoro. E sabe o melhor? Não cacei nem peguei nenhum (só pra contrariar AQUELA sua norma que você conhece bem).
Fui pra cinema, SOZINHA.
Fui pra cafeteria com minhas amigas de falar putaria, fumar e tomar cafés exóticos.
Fui pro posto, conheci uma tal de Heineken e estamos de casamento marcado.
Fui pra praia, peguei um bronze, tou até menos pálida.
E que o vermelho do meu cabelo tá teimando em voltar?
Tomei todas na casa de uma amiga, vomitei, e comecei a beber de novo. Não por depressão, mas porquê eu quis mesmo.
Voltei pro meu Hollywood Caribe e seu delicioso cheiro de menta nos meus dedos.
Desentoquei meus esmaltes azuis.
Meu violão não tem mais poeira.
Meus alunos vão se apresentar num Festival de Leitura e Escrita, e eu estou indo muito bem no trabalho.
Meu quarto tem luz por toda parte, e estou me preparando para pintá-lo mês que vem.
Meus amigos me abraçam sem medo, e todos os meus apelidos estão voltando aos poucos.
Tenho um amigo (amigo mesmo, sabe? Foda-se AQUELA sua regra) com o mesmo nome que você, a diferença é que ele me ama do jeito que eu sou.
Eu estou tão bem que é até injusto te escrever aqui hoje.
Mas é tanto tempo lendo seus lamentos, seus choros, sua angústia, que senti vontade de te mandar notícias, sabe? Um alô, pra onde quer que seja esse inferno que você construiu pra si próprio.

Saudade existe, eu confesso. E não sei por quanto tempo ela vai teimar em latejar. Mas não é maior que a saudade que eu tava de mim mesma.
Mesmo com os pesares, obrigada. Descobri o quanto não consigo viver sem mim.
E não chore mais, não lamente, não se desespere.

Eu estou bem.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Meus últimos pedaços.

Às vezes só é preciso aparecer alguém na sua frente com uma boa idéia e um sorriso simpático pra você perceber o quanto pode fazer por si mesmo.
Eu precisei ir ao fundo do poço pra entender que minha natureza me chamaria independente de onde eu estivesse.
Eu precisei pensar em fazer um jardim em baixo da escada pra perceber o quão amarga estava minha vida.
Eu precisei sorrir quando o que mais queria era chorar.
Eu precisei me pintar de forte.
Eu precisei me tornar Jocasta.
Eu precisei interferir na minha via crucis pessoal e segurar a mão do soldado romano pra não me levar meu último suspiro.
Eu tornei meus dias e minhas noites os mais insones e impróprios pra entender que tudo que eu precisava era eu mesma.
Era estar comigo mesma.
Vendo uma série, lendo um bom livro, ouvindo Björk enquanto via o pôr do sol.
Tomar um café no meu quintal enquanto meu cachorro comia nos meus pés.
Me maquiar com mais calma até decorar (de novo) os detalhes do meu rosto... e perceber o quanto ele estava mudado.
E esses são os frutos que eu colho.
A consciência que aprendi, e que fiz tudo que eu podia e principalmente o que não podia por um bem que não era meu.
Que sequer eu tinha obrigação de proporcionar.
Porquê quando nascemos somos completos.
Não precisamos de ninguém para nos completar; somos completos.
Autônomos para respirar e comer.
Essas funções básicas e primárias indicam o quão auto suficiente o ser humano é para certas coisas.
O qual completo ele deve se sentir desde o momento que se identifica como gente.
O quão completo ele deve se sentir para amar alguém ao ponto de somá-la.
O quão completo é ser humano e... completo.
E eu senti muita falta de me sentir assim.
De tocar no meu rosto e perceber que ele era meu.
De amar meu nariz só pelo fato de eu ser dona dele.
Mesmo que isso tudo custe pedaços e mais pedaços de meu ser.
Eu sabia que me devolver a mim mesma não me sairia muito barato.
Principalmente depois de ter me tirado de mim de maneira brutal e desumana.
De ter me negado e deixado de viver meu direito básico:
Comer e respirar.
Não nego que muitas vezes penso em desistir de tudo e voltar atrás em momentos.
Em palavras.
Em decisões.
Mas isso seria negar a mim mesma, e isso eu não me permito.
Já fiz uma vez, não gosto de repetir erros.
Principalmente os mais brutais.
Mesmo sabendo que se eu o fizesse, seria por amor.
Mas não por amor a mim, e isso seria me negar de novo.
E voltar ao meu erro.
E isso eu não faço.

Esses são meus últimos pedaços.
Até que eu decida não chorar mais.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Pedaços (2)


Gravetos quebrados e pedras quebradas
Vão virar pó assim como nossos ossos
É palavras que ferem mais agora, não é ?
Você está triste por dentro, você está em casa sozinho
Se eu pudesse pegar o telefone
Talvez você possa ver um dia melhor
E você não se manteria afastado
Sob meu olhar atento
Porque eu sou o seu herói e você é minha fraqueza

Mas quem vai empedir minha queda?
Quando inicia o giro
As cores sangram juntas e desaparecem
Alguma vez você esteve alinhado em tudo
Ou eu perdi meu caminho ?
O caminho de menor resistência
Está me arrastando novamente hoje

Eu estou quebrada, mas isso não é bom o bastante
As promessas não cumpridas estão novamente em questão
O dobro do seu peso em lágrimas eu causei
Eu tenho medo de afundar, eu tenho medo de nadar
Estou triste em dizer que eu sinto falta dos meus amigos
Eu sei que eu deveria parar de me afastar

Mas eles precisam de mim para ficar e manter um olhar atento
Em todos os meus heróis e todos os seus demônios

Mas quem vai empedir minha queda?
Quando inicia o giro
As cores sangram juntas e desaparecem
Alguma vez você já esteve alinhado em tudo?
Ou eu perdi meu caminho ?
O caminho de menor resistência
Está me arrastando novamente hoje
Não hoje
Não hoje

Gravetos quebrados e pedras quebradas
Vão virar pó assim como nossos ossos
Eu estou quebrada
E isso não é bom o bastante
As promessas não cumpridas estão novamente em questão hoje...

Brandi Carlile.





Pedaços.



Palavras como violência
Quebram o silêncio
Vem destruindo
O meu mundinho
Doloroso para mim
Perfura através de mim
Você não consegue entender
Oh, minha garotinha

Tudo o que eu sempre quis
Tudo o que eu sempre precisei
Está aqui em meus braços
Palavras são bem
Desnecessárias
Elas podem só machucar

Promessas são feitas
Para serem quebradas
Emoções são intensas
Palavras são insignificantes
Os prazeres ficam
E a dor também
Palavras são sem sentido
E são esquecíveis

Tudo o que eu sempre quis
Tudo o que eu sempre precisei
Está aqui em meus braços
Palavras são bem
Desnecessárias
Elas podem só machucar

Aprecie o silêncio...

Depeche.